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Anvisa reforça alerta sobre uso de canetas emagrecedoras após aumento de eventos adversos no país


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta segunda-feira (9), em Brasília, um novo alerta de farmacovigilância relacionado ao uso inadequado de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente chamados de canetas emagrecedoras. O comunicado ocorre diante do crescimento de notificações de efeitos adversos, tanto no Brasil quanto no exterior.

Entre os medicamentos incluídos no alerta estão a dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Segundo a Anvisa, embora os riscos já estejam descritos nas bulas aprovadas no país, o aumento de registros exige reforço das orientações de segurança à população e aos profissionais de saúde.

A agência enfatizou que esses medicamentos devem ser utilizados apenas dentro das indicações autorizadas e sempre com prescrição e acompanhamento médico. 

“O uso fora das recomendações aprovadas pode expor o paciente a eventos adversos graves”, alertou o órgão regulador.

Um dos principais riscos associados ao uso indevido é o desenvolvimento de pancreatite aguda, condição que pode evoluir para formas graves, incluindo quadros necrotizantes e até fatais. Ainda assim, a Anvisa ressaltou que não houve alteração na avaliação geral de segurança dessas substâncias. 

“Os benefícios terapêuticos continuam superando os riscos quando os medicamentos são usados corretamente, conforme previsto em bula”, informou.

O alerta brasileiro também faz referência a um comunicado recente da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA), que apontou um risco, embora raro, de pancreatite aguda grave em usuários desse tipo de medicamento.
Dados e controle da prescrição

De acordo com a Anvisa, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados às canetas emagrecedoras no país, incluindo seis casos com desfecho de óbito.

Em resposta ao cenário, a agência determinou, em junho de 2025, mudanças nas regras de comercialização desses medicamentos. Desde então, farmácias e drogarias passaram a reter a receita médica, que deve ser emitida em duas vias. A validade do receituário é de até 90 dias, medida semelhante à adotada para antibióticos.

Segundo a Anvisa, a decisão buscou reduzir o uso indiscriminado, especialmente para emagrecimento sem indicação clínica. “O uso fora das indicações autorizadas aumenta significativamente o risco de efeitos adversos e pode dificultar o diagnóstico precoce de complicações graves”, destacou a agência.
Recomendações à população e profissionais

A Anvisa orienta que usuários procurem atendimento médico imediato ao apresentar dor abdominal intensa e persistente, especialmente se irradiar para as costas e vier acompanhada de náuseas ou vômitos — sintomas compatíveis com pancreatite.

Aos profissionais de saúde, a recomendação é suspender o tratamento diante da suspeita do evento adverso e não retomá-lo caso o diagnóstico seja confirmado. A agência também reforçou a importância da notificação de casos no sistema VigiMed, fundamental para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos, que estão no mercado brasileiro há pouco mais de cinco anos.

Nos últimos anos, o órgão já havia emitido outros alertas envolvendo as canetas emagrecedoras, como o risco de aspiração durante procedimentos anestésicos, em 2024, e a associação rara entre semaglutida e perda de visão, registrada em 2025.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Stefamerpik/Freepik

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