Boulos diz que buscará diálogo com Hugo Motta sobre fim da escala 6x1 e defende jornada sem corte salarial
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou nesta segunda-feira (9) que pretende se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar das divergências em torno da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil.
A declaração foi feita durante agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no município de Mauá, na Grande São Paulo, e coincidiu com o envio, por parte de Motta, de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
“Nós vamos chamar o presidente Hugo Motta para uma reunião na quinta-feira”, afirmou Boulos, sinalizando a tentativa de alinhamento entre o Executivo e a cúpula do Legislativo.
Defensor da redução da jornada de trabalho, o ministro deixou claro que há pontos considerados inegociáveis pelo governo. Segundo ele, a proposta precisa garantir a diminuição da carga horária sem impacto nos salários.
“Todo processo envolve negociação, mas não abrimos mão de um máximo de cinco dias de trabalho por dois de descanso, da jornada semanal de 40 horas e da manutenção integral dos salários”, destacou.
A pauta é tratada como estratégica pelo Palácio do Planalto e pelo PT, que buscam avançar com a proposta ainda neste ano, antes do início do período eleitoral, quando Lula deve disputar a reeleição. Boulos reconheceu, no entanto, as dificuldades do caminho legislativo.
“Uma PEC exige um número maior de votos e, consequentemente, apoio de setores da oposição. Já um projeto de lei, com a base consolidada, pode ser aprovado ainda neste semestre, garantindo esse direito aos trabalhadores”, explicou.
Posição do presidente da Câmara
Também nesta segunda-feira, Hugo Motta se manifestou sobre o tema nas redes sociais. O presidente da Câmara afirmou que a discussão será conduzida com cautela e diálogo amplo.
“Vamos ouvir todos os setores, com equilíbrio e responsabilidade, para construir a melhor lei para os brasileiros. O mundo avançou, especialmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás”, declarou.
A proposta de redução da jornada promete intensificar o debate entre governo, Congresso e setores produtivos ao longo dos próximos meses.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados/Agência Câmara




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