Marcelo Nilo diz que chegada de Ângelo Coronel ao grupo de ACM Neto é bem-vinda e impõe condições para 2026
O ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, Marcelo Nilo (Republicanos), tratou com naturalidade a possibilidade de o senador Ângelo Coronel deixar a base governista e se integrar ao grupo político liderado por ACM Neto (União Brasil). Em entrevista ao Politiquestion, podcast do bahia.ba, Nilo afirmou que não vê o movimento como ameaça, mesmo com o impacto direto na disputa por vagas ao Senado em 2026.
Segundo ele, a eventual chegada de Coronel enfraquece o governo estadual e reforça o campo da oposição. “A política esquentou muito nos últimos dias. A ida de Ângelo Coronel para a chapa de ACM Neto desfalcou o governo, e nós não imaginávamos que houvesse esse conflito entre Coronel e Otto Alencar. Mas política é assim. Se ele vier, será muito bem-vindo”, declarou.
Apesar do tom conciliador, Nilo reconheceu que ainda não houve uma conversa formal com ACM Neto sobre o assunto. “Neto ainda não nos chamou para conversar. Isso vai acontecer. E, se Coronel realmente vier, ele terá nosso apoio, desde que eu esteja na vice”, condicionou, ao se referir à composição da chapa majoritária.
Bastidores e recados para 2026
Durante a entrevista, Marcelo Nilo também relembrou os bastidores das eleições de 2022 e fez cobranças públicas ao ex-prefeito de Salvador. Ele afirmou que, naquele pleito, deixou o grupo do PT para integrar o projeto de ACM Neto, mas acabou sendo descartado na reta final da definição da chapa.
“Em 2022, eu larguei tudo para ser senador ou vice de ACM Neto. Na véspera da decisão, o PDT avisou que romperia se eu fosse o vice. Neto foi correto comigo e sentou para conversar, mas o fato é que fiquei sangrando politicamente por sete meses”, relatou.
De olho em 2026, Nilo disse que já deixou clara sua posição ao líder da oposição. “Há cerca de 15 dias eu sentei com ele e disse: ‘Neto, agora eu quero ser senador. Não vou passar novamente pelo que passei quatro anos atrás. Quero uma definição’”, contou.
O ex-parlamentar foi direto ao impor condições: caso Ângelo Coronel integre a chapa, ele exige a vaga de vice-governador.
“Se Coronel vier e você escolher um vice mais fraco do que eu, eu saio candidato ao Senado de forma independente”, afirmou.
Nilo, no entanto, evitou citar nomes que, em sua avaliação, se enquadrariam nesse perfil.
O discurso evidencia que, apesar do clima de cordialidade pública, os movimentos nos bastidores da oposição baiana já começaram a esquentar a disputa pela composição da chapa para as eleições de 2026.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Camile Campos/bahia.ba




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