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Coaf aponta movimentações suspeitas em repasses milionários de consignados ligados ao Exército


Um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) acendeu um alerta no Senado ao identificar indícios de irregularidades em repasses que somam cerca de R$ 39 milhões envolvendo o Exército Brasileiro e o Banco Master. Os valores têm origem em descontos de empréstimos consignados feitos diretamente na folha de pagamento de militares da ativa e da reserva.

Encaminhado à CPI do Crime Organizado em março, o documento destaca movimentações consideradas atípicas. Entre os principais pontos, está o saque ou redirecionamento quase imediato dos recursos após o crédito, comportamento que pode indicar desvio de finalidade. Outro aspecto levantado é a concentração dos valores em uma única titularidade, o que dificulta o rastreamento dos beneficiários finais e levanta suspeitas sobre a transparência das operações.

O contrato entre o Exército e a instituição financeira foi encerrado em novembro do ano passado, após a liquidação do banco pelo Banco Central. Em posicionamento oficial, a Força afirmou que não houve prejuízo aos cofres públicos, ressaltando que os recursos são privados, provenientes dos salários dos próprios militares, e que o papel do Exército se limitava a intermediar os descontos autorizados.

Segundo a instituição, o credenciamento do Banco Master ocorreu por meio de edital público, com cumprimento dos critérios legais e financeiros exigidos à época. Ainda assim, os dados do Portal da Transparência confirmam a magnitude das operações, com repasses de R$ 36,1 milhões em 2023, R$ 37,6 milhões em 2024 e R$ 23,4 milhões em 2025.

O relatório também menciona operações semelhantes envolvendo a Força Aérea Brasileira (FAB), que confirmou transferências ao banco nos anos de 2024 e 2025. A Aeronáutica informou que suspendeu novos repasses após a liquidação da instituição financeira, mas não detalhou os valores movimentados.

As informações devem intensificar o debate na CPI e ampliar a pressão por esclarecimentos sobre o fluxo desses recursos e a eventual responsabilidade de agentes envolvidos nas operações.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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