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Trabalhadores com jornada maior recebem até 57% a menos, aponta pesquisa


Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada revelou uma diferença significativa de renda entre trabalhadores com jornadas distintas no Brasil. Profissionais que atuam na escala 6x1, com carga de 44 horas semanais, recebem, em média, 57,7% a menos do que aqueles que trabalham 40 horas por semana no regime 5x2.

Segundo o estudo, enquanto trabalhadores com jornada reduzida têm renda média de R$ 6.211, aqueles submetidos à carga de 44 horas recebem cerca de R$ 2.626,05 — o equivalente a apenas 42,3% desse valor. A disparidade se torna ainda mais evidente quando analisado o ganho por hora, que cai para R$ 2.391,24 entre os profissionais com jornadas mais longas.

De acordo com a pesquisa, o principal fator por trás dessa desigualdade está relacionado ao nível de escolaridade. A maioria dos trabalhadores com jornada de 44 horas possui, no máximo, ensino médio completo, enquanto entre aqueles com ensino superior a presença em jornadas mais longas é menor.

Essas cargas horárias mais extensas são comuns em setores como comércio, indústria e agropecuária, áreas que geralmente exigem menor qualificação. Em contrapartida, profissionais com maior nível de formação tendem a ocupar cargos técnicos ou especializados, que contam com jornadas reduzidas e melhor remuneração.

O tema ganha ainda mais relevância diante das discussões no Congresso sobre o possível fim da escala 6x1. Segundo o Ipea, a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais poderia elevar o custo da mão de obra em cerca de 7,84%. Já em um cenário de jornada ainda menor, com 36 horas semanais (escala 4x3), o impacto poderia chegar a 17,57%.

Apesar disso, o estudo aponta que a economia brasileira teria capacidade de absorver esses custos, a exemplo do que ocorreu em políticas anteriores de valorização salarial. Para o pesquisador Felipe Pateo, um dos autores do levantamento, a diminuição da jornada pode contribuir para reduzir desigualdades no mercado de trabalho formal, já que jornadas mais extensas estão concentradas em ocupações de menor remuneração e maior rotatividade.

O debate sobre a reorganização das jornadas de trabalho segue em pauta e pode trazer mudanças significativas para trabalhadores e empregadores nos próximos anos.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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