"A Fabamed não é caloteira", diz presidente ao cobrar valores em aberto em Simões Filho
O presidente da Fundação Fabamed, José Saturnino Rodrigues, concedeu entrevista ao programa Panorama de Notícias da Rádio Simões Filho FM 87.9 na tarde desta quarta-feira (3), e voltou a cobrar o pagamento de valores que, segundo ele, permanecem pendentes desde o encerramento do contrato de gestão do Hospital Municipal de Simões Filho, na gestão do ex-prefeito Diógenes Tolentino. Durante a conversa, o gestor detalhou os desafios enfrentados pela instituição durante sua permanência no município e rebateu críticas feitas à atuação da fundação.
Segundo Rodrigues, a Fabamed iniciou suas atividades no hospital em 29 de dezembro de 2019, encontrando uma unidade em condições precárias.
“Assumimos um hospital totalmente sucateado, cheio de goteiras, com desassistência e diversos problemas estruturais. A partir daí começamos um trabalho de reorganização e fortalecimento da unidade”, afirmou.
Ao falar sobre o período da pandemia da Covid-19, o presidente destacou que a instituição enfrentou forte aumento nos custos operacionais sem receber reajustes contratuais.
“Em março de 2020 estourou a pandemia. A partir desse momento tivemos reajustes de materiais e medicamentos próximos de 200%, além da dificuldade para contratação de médicos e aumento dos custos da mão de obra. Ficamos três anos sem nenhum tipo de reajuste contratual”, declarou.
De acordo com Rodrigues, a fundação precisou utilizar recursos próprios para garantir a continuidade dos atendimentos.
“A Fabamed aportou mais de R$ 5 milhões de recursos próprios para não deixar acontecer desassistência. Nunca deixamos faltar material, medicamentos ou alimentação. O almoxarifado sempre esteve abastecido e os serviços funcionando normalmente”, disse.
O presidente também ressaltou que todos os reajustes salariais previstos em convenções coletivas foram cumpridos pela instituição.
“Todos os dissídios foram pagos. Não houve nenhum que deixasse de ser honrado pela Fabamed”, garantiu.
Sobre a regulação de pacientes para unidades de maior complexidade, Rodrigues afirmou que a fundação utilizava sua estrutura hospitalar em Salvador para agilizar transferências.
“Temos hospitais importantes em Salvador, como o Hospital 2 de Julho e o Hospital Manuel Vitorino. Muitos pacientes regulados eram direcionados para nossas unidades, justamente para garantir mais rapidez no atendimento”, explicou.
Ao abordar a dívida reivindicada pela fundação, o gestor afirmou que os valores envolvem parcelas não quitadas do contrato, reajustes reconhecidos pela administração municipal e valores retroativos.
“Reconheceram que havia valores a serem pagos, mas isso não foi efetivamente quitado. Somando tudo, chegamos a aproximadamente R$ 5,6 milhões”, afirmou.
Rodrigues contestou ainda a justificativa apresentada pela gestão anterior de que a última fatura não teria sido paga porque a empresa possuía saldo financeiro.
“Eu não sei de onde tiraram essa narrativa. Se você não paga uma fatura, como é que a empresa vai ter dinheiro sobrando? Isso não faz sentido”, questionou.
Sobre as negociações com a atual administração municipal, o presidente afirmou que o diálogo tem ocorrido de forma institucional, com acompanhamento dos sindicatos e do Ministério Público do Trabalho.
“O prefeito nos recebe bem, mas essa é uma situação herdada da gestão anterior. Estamos tentando resolver de forma amigável e esperamos que não seja necessário judicializar”, declarou.
Rodrigues também rebateu críticas direcionadas à Fabamed durante sua atuação no município e afirmou que tentou prestar esclarecimentos ao Poder Legislativo.
“Pedi três vezes, por escrito, para ir à Câmara Municipal explicar a situação da fundação e mostrar o trabalho realizado. As três solicitações foram negadas”, relatou.
Ao final da entrevista, o presidente defendeu o histórico da instituição na administração hospitalar e demonstrou confiança na resolução do impasse financeiro.
“A Fabamed não é caloteira. Administramos diversas unidades de saúde na Bahia e não temos problemas semelhantes em outros lugares. Tenho expectativa de receber esses valores porque eles são fundamentais para quitar compromissos pendentes com profissionais e fornecedores”, concluiu.
Por Ataíde Barbosa



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