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Senhor do Bonfim prepara retorno histórico da Guerra de Espadas dentro da lei



Uma das manifestações mais tradicionais dos festejos juninos da Bahia está mais próxima de retornar dentro da legalidade. Após anos de debates, restrições judiciais e articulações entre órgãos públicos e representantes da cultura popular, a Guerra de Espadas poderá acontecer de forma regulamentada pela primeira vez no estado durante os festejos deste ano em Senhor do Bonfim.

A expectativa é que a tradicional brincadeira seja realizada em um espaço específico, com controle de acesso, protocolos de segurança e utilização de artefatos certificados. A iniciativa é resultado de um amplo acordo firmado entre o Ministério Público da Bahia, forças de segurança, órgãos municipais e a Associação dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (Acesb).

Considerada parte da identidade cultural de diversas cidades baianas, a Guerra de Espadas foi proibida judicialmente devido aos riscos à segurança e à utilização de artefatos sem certificação legal. Agora, a proposta busca conciliar a preservação da tradição com o cumprimento das normas de segurança e da legislação vigente.

Entre as medidas adotadas está o desenvolvimento de espadas produzidas por empresa regularizada e submetidas aos processos de certificação exigidos pelos órgãos competentes. Além disso, a criação de um espaço exclusivo para a prática, conhecido como "Espadódromo", pretende reduzir riscos à população e garantir maior controle durante as celebrações.

Para os defensores da manifestação cultural, o avanço representa uma conquista histórica. Eles argumentam que a tradição faz parte da memória afetiva e da identidade de gerações de moradores, especialmente durante a noite de 23 de junho, véspera de São João.

O modelo adotado em Senhor do Bonfim também vem sendo acompanhado por representantes de outros municípios, como Cruz das Almas, onde há discussões para viabilizar um formato semelhante. Apesar disso, ainda não houve acordo formal que permita a realização regulamentada da prática na cidade do Recôncavo baiano.

Enquanto os preparativos avançam, a expectativa dos espadeiros é que este seja um marco para a preservação da cultura popular, demonstrando que tradição e segurança podem caminhar juntas durante uma das festas mais importantes do calendário nordestino.





Por Ataíde Barbosa/Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A TARDE

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