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9 em Cada 10 Brasileiras Desconhecem Leis que Garantem Rapidez no Diagnóstico do Câncer de Mama


Um grave déficit de informação coloca em risco a saúde de milhões de brasileiras e atrasa o combate ao câncer de mama no país. Segundo dados do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas 2026, realizado pelo Instituto Natura e pela Avon em parceria com a agência Quiddity, 90% das mulheres desconhecem a Lei dos 30 Dias — legislação que garante o prazo máximo de um mês para a realização de exames confirmatórios em casos de suspeita da doença.

A desinformação também se estende às fases seguintes do cuidado: 92% das entrevistadas disseram não conhecer a Lei dos 60 Dias, que estipula o prazo limite para o início do tratamento na rede pública após a confirmação do diagnóstico.

Impacto Direto no Diagnóstico Tardio

A falta de conhecimento sobre as políticas públicas tem reflexos diretos na gravidade dos casos identificados na rede pública de saúde. O Panorama do Câncer de Mama aponta que 51% das pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025 foram diagnosticadas nos estágios 3 ou 4 — fases em que a doença se encontra avançada ou já apresentou metástase.

Especialistas ressaltam a contradição entre a taxa de cura do tumor — que pode chegar a 95% quando descoberto precocemente — e a alta taxa de mortalidade entre as brasileiras, impulsionada pela demora na busca pelos direitos garantidos em lei.

Desigualdade Social e Principais Gargalos da Informação

O estudo entrevistou 2.094 mulheres a partir dos 18 anos e revelou que 44% das participantes possuem nível baixo ou muito baixo de conscientização sobre o tema. As lacunas de informação são ainda mais acentuadas entre usuárias do SUS, jovens e populações de menor renda, em comparação com mulheres de maior poder aquisitivo atendidas pela rede privada.

Entre os principais gargalos identificados pelo levantamento, destacam-se:

Acesso à Mamografia no SUS: 76% das brasileiras desconhecem que a mamografia pode ser realizada pelo SUS em qualquer faixa etária, desde que haja indicação médica ou sintomas suspeitos.

Falta de Solicitação Médica: Entre as mulheres acima de 40 anos que nunca realizaram o exame, 23% afirmaram que a solicitação nunca foi feita por um profissional de saúde.

Acompanhamento Ginecológico: A adesão à mamografia cai drasticamente entre quem não faz consultas de rotina: 66% das mulheres que frequentam o ginecologista anualmente realizam a mamografia, contra apenas 21% daquelas que nunca vão a consultas.

Confusão entre Prevenção e Diagnóstico: 72% das entrevistadas acreditam erroneamente que exames de rotina evitam o surgimento do câncer, e 50% desconhecem que hábitos como o consumo de álcool e a obesidade aumentam o risco de desenvolvimento da doença.

Os dados reforçam a urgência de fortalecer campanhas educativas e orientar a população ao longo de todo o ano, garantindo que o conhecimento se converta em acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento adequado.





Por Ataíde Barbosa/Foto: Antoniodiaz /Shutterstock

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