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Morre Jimmy Cliff, ícone mundial do reggae, aos 81 anos


O mundo da música amanheceu mais silencioso nesta segunda-feira (24) com a notícia da morte de Jimmy Cliff, um dos maiores nomes da história do reggae. O cantor jamaicano faleceu em sua residência, aos 81 anos, vítima de uma convulsão seguida de pneumonia, conforme informou sua esposa, Latifa, em comunicado. A família destacou o papel fundamental dos fãs na trajetória do artista e pediu respeito ao momento de luto.

Jimmy Cliff nasceu James Chambers, em 1944, e desde cedo demonstrou aptidão para a música. Das ruas da Jamaica para os palcos internacionais, ele se tornou pioneiro na popularização do reggae fora do país caribenho, contribuindo para que o gênero ganhasse visibilidade global décadas antes de se consolidar com nomes como Bob Marley.

Foi protagonista do filme The Harder They Come (1972), produção histórica que impulsionou o reggae mundialmente e marcou sua carreira. Além do cinema, sua voz atravessou gerações com canções emblemáticas como Many Rivers to Cross, You Can Get It If You Really Want e Wonderful World, Beautiful People — hinos de resistência, esperança e justiça social.

Cliff colecionou conquistas ao longo da carreira: ganhou dois prêmios Grammy, foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame e recebeu a Ordem do Mérito da Jamaica, uma das maiores honrarias concedidas pelo país.

Conexão com a Bahia

Jimmy Cliff também deixou uma forte marca no Brasil. Viveu por alguns anos em Salvador, onde se aproximou da cultura afro-baiana e colaborou com o grupo Olodum na criação do álbum Samba Reggae, que se tornou símbolo da fusão entre ritmos jamaicanos e brasileiros. Dessa relação nasceu sua filha, a atriz e cantora Nabiyah Be, fruto do relacionamento com a psicóloga baiana Sônia Gomes.

Sua passagem pela Bahia influenciou não apenas sua produção artística, mas também o movimento cultural local, contribuindo para a valorização das raízes do samba-reggae e fortalecendo a identidade musical do estado.

Legado imortal

Jimmy Cliff deixa um legado que vai muito além das canções. Representou o poder da música como ferramenta de transformação e diálogo entre povos. Celebrado por sua gentileza e consciência social, inspirou artistas em diversos países e ajudou a construir a ponte entre a cultura da diáspora africana no Caribe e no Brasil.

Sua arte permanece como trilha sonora de lutas e sonhos. Jimmy Cliff partiu, mas sua mensagem continua ecoando: é possível vencer, mesmo diante de muitos rios a atravessar.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução Redes Sociais

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